sábado, 18 de setembro de 2010

A última dança de Luvhengo

Desde que chegaram a Trinidad e Tobago, as jogadoras da África do Sul esbanjam alegria - até porque fazem sua estreia na Copa do Mundo Sub-17 Feminina da FIFA. No entanto, as sul-africanas aprenderam uma dura lição sobre futebol e sobre a implacável eficiência germânica. "Foi uma derrota terrível, não precisamos ter vergonha de admitir isso", comentou o técnico Solomon Luvhengo depois de ver a sua seleção perder por 10 a 1 da Alemanha. "Tivemos excesso de respeito pelas adversárias."

Luvhengo é alegre, gosta de falar sobre o futebol do seu país e sobre sua seleção. Ele topa até mesmo dançar junto com as jogadoras antes das partidas. "Gosto de dançar", disse ao FIFA.com com um grande sorriso. "O técnico de uma equipe juvenil não pode estar tenso o tempo todo. Se você agir dessa forma, as jogadoras começarão a sentir a pressão. Então, gosto de me divertir com elas, fico tranquilo e até danço. É preciso mantê-las confiantes."

"Solly", como Luvhengo é chamado pelas atletas, é um otimista convicto. Antes da partida contra a Alemanha na quarta-feira, ele realmente acreditava que as suas garotas tinham chance de vencer. Na estreia, contra a Coreia do Sul, elas haviam sido derrotadas em um jogo interessante e disputado. "As garotas da seleção da Alemanha estão jogando juntas há vários anos", disse o técnico. "Nós, infelizmente, não estamos." A seleção alemã, atual campeã mundial feminina na categoria principal e no sub-20, precisou de apenas 30 minutos para abrir uma vantagem de 5 a 0.

Se Mapula Kgoale não tivesse batido um pênalti por cima do gol aos cinco minutos da partida de estreia contra as sul-coreanas, ou se Jermaine Seoposenwe tivesse aproveitado as várias oportunidades que teve na derrota por 3 a 1, as coisas poderiam ter sido diferentes. "Deveríamos ter ganhado o primeiro jogo", declarou o treinador, pensando na chance desperdiçada. "A tabela também não nos favoreceu", continuou em entrevista concedida na esquina de uma rua barulhenta na periferia de Scarborough, capital de Tobago. "Tenho certeza de que vamos vencer o México no nosso último confronto, mas se tivéssemos jogado contra as mexicanas antes, teríamos ganhado ritmo e confiança."

Embora a partida contra o México seja apenas para cumprir tabela, Luvhengo acredita que o confronto será muito importante para o desenvolvimento da sua equipe e para o futuro do futebol feminino na África do Sul. "É uma questão de orgulho", comentou. "Sabemos como é perder um jogo de Copa do Mundo e é essencial que também descubramos como é vencer."

De fato, é possível ver claramente o orgulho que ele sente das suas comandadas na forma como fala sobre elas. Atletas como Robyn Moodaly, sempre buscando o ataque, a forte Seoposenwe, tentando constantemente achar espaços, e todas as outras jogadoras. "O que essas garotas estão vivendo aqui é algo incrível, enfrentando grandes seleções e aprendendo mais sobre o futebol", continuou o técnico sul-africano. "Essas experiências são algo que nunca poderá ser tirado delas."

Na segunda-feira, essas esforçadas, charmosas e jovens jogadoras disputarão a sua última partida em Trinidad e Tobago. Mas, a julgar pelo entusiasmo e pelo ânimo de Luvhengo, não demorará muito até que as sul-africanas voltem a jogar um Mundial. Quando perguntado se pretendia dançar antes do jogo em Couva, o treinador riu e não hesitou. "Se tudo der certo, estarei dançando depois do jogo, quando vencermos o México", concluiu.

Fonte: Fifa.com

Nenhum comentário:

Postar um comentário