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| Janaína posa com sua companheira desde a infância, a bola de futebol, na varanda da casa da família: talento |
Desde criança, quando começou a jogar, Janaína ouve elogios a seu futebol.
Ela aprendeu com os homens da família: o pai, o irmão e o tio.
Os três estavam sempre nos campos, a menina ia junto e aos 10 anos percebeu que também gostava.
Então, começou a treinar, no antigo time do BTC (Bauru Tênis Clube), levada pelo pai, Geraldo.
Ele a mãe da jogadora, Cleide, sempre apoiaram a filha. Levavam e buscavam nos treinos e jogos.
“Não teve preconceito. Até digo que o ‘culpado’ foi ele”, brinca a moça.
Apegada à vida em família, Janaína teve oportunidades de jogar em times fora de Bauru, mas sempre voltou.
Aos 15 anos, foi para a equipe feminina do São Paulo, ficou duas semanas e pediu para o pai buscá-la. Dois anos depois, foi para a Portuguesa e aconteceu a mesma coisa: não gostou da vida longe dos pais e retornou.
“Ligava chorando e meu pai ia buscar”, lembra.
Um dos últimos convites, também recusado, balançou a jogadora. Era para jogar nos Estados Unidos, numa equipe vinculada a uma universidade, com direito a moradia, alimentação e bolsa de estudos.
Além do apego familiar, o medo do que poderia acontecer no futuro também segurou Janaína.
É jovem, mas já tem uma vida estruturada em Bauru. Teve medo de largar tudo e arriscar uma mudança, sem garantia de retorno.
Janaína, no entanto, nunca abandonou o futebol. Jogou em Bauru durante 14 anos e participou do auge do futebol feminino.
Hoje defende a equipe de futsal de Duartina, para onde foi o grupo de jogadoras mais velhas de Bauru.
Treina três vezes por semana e joga outras três vezes, sem contar os exercícios de condicionamento físico na academia de ginástica.
Até hoje Janaína é abordada por olheiros encantados com seu talento.
Nos últimos Jogos Regionais, por exemplo, foi convidada para atuar na equipe de Volta Redonda (RJ).
O chute forte e o jogo inteligente é que chamam a atenção. São características familiares, lapidadas pelos anos de treinamentos comandados pelo Cabo Alcides, conhecido pelo rigor com seus atletas. André Requena, o técnico da época em que ela jogava por Bauru, também é rígido.
E Janaína gosta disso.
“Tem que ser assim. Forçar o atleta para ele dar o máximo, porque não adianta ser apenas mais um, tem que ser o melhor”.
De vestido, Janaína chamou a atenção
O fato de ter grande talento e nunca ter sido chamada para a seleção feminina de futebol dá uma sensação de frustração a Janaína. Em algumas ocasiões ela sabia que era melhor do que as atletas que estavam em campo. Não era fácil ver isso.
Mas a atleta também guarda na memória emocional a sensação de vencer partida muito disputada.
Aconteceu quando ela tinha 18 anos e disputou a final do Campeonato Paulista contra Araraquara, então considerada a melhor equipe feminina do Brasil.
O time de Bauru venceu por 2 a 1, em jogo realizado no BTC de campo.
“É inesquecível”.
Janaína conserva também as lições que aprendeu com o esporte: nunca desmerecer o outro, ter companheirismo e unidade.
“Se o grupo não é fechado, uma ajudando a outra, não tem time que vá para a frente”, garante.
Torcedora
A atleta conta que seu estilo - e também o do grupo que atuou em Bauru e hoje está em Duartina - é diferente do futebol feminino tradicional, que ela acha cansativo.
Tanto é que Janaína não gosta de assistir as partidas disputadas por mulheres. Gosta mais de ver os homens em campo. E joga de igual para igual, sempre confiante.
Um dos companheiros de bola, o irmão William, 28, jogador do Redentor, time do futebol amador da cidade, só merece elogios.
“É muito bom, acho que é bem melhor que eu”.
Para a irmã, William só não foi para o futebol profissional por causa do apego à família, mesma razão que a prendeu a Bauru.
Janaína é torcedora do São Paulo, mas hoje o jogador que mais admira é Ganso, atleta de outro time, o Santos.
Preconceito
Apoiada pela família, a jogadora enfrentou poucas situações de preconceito. E, garante, elas são cada vez menos frequentes.
Sempre lembra o dia em que ganhou um prêmio e apareceu de vestido preto e longo, cheio de brilhos.
“Perguntaram: você joga futebol mesmo?” Sim, ela joga mesmo.
Cristina Camargo/Agência BOM DIA

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